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LÚCIA MARIA LUTA PARA MANTER VIVA A CULTURA PAIACU
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quarta-feira, 18 de setembro de 2019

MULHER RECEBE PARECER FAVORÁVEL DO MP PARA INSERIR NOME INDÍGENA EM REGISTRO NO RN


Lúcia Maria Tavares busca na Justiça o direito de se chamar Lúcia Paiacu Tabajara, em homenagem às tribos das quais é descendente.


Descendente indígena, Lúcia Maria Tavares, de 58 anos, ganhou parecer favorável do Ministério Público do Rio Grande do Norte para inserir o sobrenome da sua aldeia, natural de Apodi, na região Oeste, no seu registro. O parecer aconteceu na quarta-feira passada (6). Ela espera a Justiça autorizar a mudança para passar a se chamar Lúcia Paiacu Tabajara. Ainda não há prazo, no entanto, para o julgamento.
Lúcia briga pela mudança do seu nome desde o ano passado, quando deu abertura ao processo e se baseou numa resolução conjunta de 2012 do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público. Ela acredita que será a primeira a conseguir essa mudança para o nome da etnia indígena no Rio Grande do Norte.
Descendente das tribos Tapuia Paiacu, do Rio Grande do Norte, e Tabajara, de Pernambuco, ela diz que a intenção da mudança do nome tem relação com uma questão de orgulho quanto às origens. "Minha vontade pela mudança é pelo silêncio que sempre houve, pela história e pela injustiça com qual a tribo paiacu sempre foi tratada aqui, com referências ruins", conta.
Ela explica que os próprios antepassados tiveram receio de se admitirem como indígenas, mas cita que tradições culturais da tribo sempre estiveram presentes. "Após a morte de nossa líder em 1825, houve um medo das gerações seguintes se declararem como paiacus, com medo da violência que isso poderia causar", explica.
Em busca de resgatar a origem da tribo, Lúcia criou em 2013 o Museu do Índio Luiza Cantofa, em homenagem exatamente à líder indígena dos paiacus morta em 1825. Lá, ela diz reunir peças antigas encontradas na região de Apodi, além de contar um pouco a história da tribo. "Tenho um orgulho muito grande da tribo. É um povo muito sofrido, mas muito forte e resistente. E que lutou muito por essas terras", conta.
Lúcia cita sempre ter tido interesse e zelado pela história da tribo, o que se aprofundou nos últimos anos com a criação do museu. Em meio a esse processo de resgate histórico, ela evita dizer que comunidade tapuia está extinta. "Nós ainda resistimos. Temos que parar de dizer que isso aqui é um cemitério de índio", diz
FONTE – G1RN

LÚCIA MARIA TAVARES


Eu sou Lúcia Maria Tavares, minha família é descendente dos índios Paiacus, tapuia da grande nação Kariri, em terras do Apodi.

Histórias salpicada de lance dramático, de lutas e sofrimentos, de ambições, vinganças e crimes de toda espécie. Histórias também pontilhada de gestos de coragem, fé e heroísmo.
Questão de muitos anos entre índios e civilizados, em que prevaleceu e prevalece, finalmente, a lei do mais forte, esbulhando direitos de patrimônios alheios. Porque é este, geralmente, o caminho, o destino, o desfecho das questões, entre fortes e fracos. Já dizia o filósofo que a justiça é invenção dos fortes, dos poderosos, para subjugar os fracos.

Desde 1825, Apodi se calou a respeito dos Tapuias Paiacus. Dia 24 de Abril de 2013, estive na FUNAI de Natal-RN, e falei com o Sr. Martinho Andrade, chefe da coordenação, e me declarei com orgulho índia Tapuia Paiacus de Apodi.
Hoje faço parte das reuniões da COEPPIR ( Coordenadoria De Políticas De Promoção Da Igualdade Racial ), e também da APOINME ( Articulação Dos Povos e Organizações Indígenas Do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo)".

Por Lucia Tavares.
FONTE – TUDO DE APODI

História muito feia



Lúcia Maria Tavares nasceu em Apodi no dia 18 de janeiro de 1961. Oriunda do sítio Córrego, na região da areia, teve uma vida muito carente, mas desde a infância foi curiosa pela história dos bisavós, que diziam ter sido “pegos a casco de cavalo”.
Quando perguntava, sua mãe dizia que “era uma história muito feia”, demonstrando vergonha daquilo que seus pais a mandavam esquecer.
Estudou no antigo colégio Isauro Camilo de Oliveira, conhecido também como “grupo de pés descalços” por atender pessoas pobres da região do Alto, em Apodi.
Fez apenas até a 5ª série. Aos 16 anos largou a escola para se casar com Erione Marinho de Paiva com quem conviveu durante cinco anos e teve um filho: Abdala Paiva, hoje com 41 anos.
Quando se separou, passou muita dificuldade financeira, mas o estopim para mudar de vida começou em uma prévia do natal, quando ela não tinha como dar um simples brinquedo ao filho. Lembrança que lhe entala a garganta e mareja os olhos até hoje.
Decidiu ir a São Paulo em busca de melhoria de vida, como fazia grande parte dos nordestinos. Instalou-se na casa de parentes e logo na primeira semana conseguiu emprego de cuidadora de uma idosa de 90 anos.
Ficou no trabalho seis meses quando uma amiga, de nome Joana, lhe ofereceu ensinar a costurar. Aprendeu logo. Começou a produzir “japona” um tipo de jaqueta vendida por bolivianos no Brás.
“Em São Paulo passei muito sufoco e necessidade, mas em Apodi era pior, sem amparo algum”, lembra Lúcia.
Devido à rotina puxada da capital paulista, mandou o filho de volta a Apodi para morar com o pai, mas nunca lhe deixou faltar nada. Só queria voltar do Sudeste quando tivesse condições de comprar uma casa.
FONTE – SUBSTANTIVO

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